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Delator afirma que Hartung coordenava repasses para campanhas eleitorais
Fonte : A Gazeta
Em depoimento por escrito, entregue ao Ministério Público Federal como parte de sua delação premiada, o ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedicto Júnior, o BJ, afirma que cabia ao governador Paulo Hartung (PMDB) coordenar arrecadações de campanhas eleitorais e que um dos pedidos feitos por ele teria ocorrido dentro da Residência Oficial da Praia da Costa, em Vila Velha.
“A companhia sempre esteve presente no Espírito Santo e, tendo em vista os interesses econômicos em novos projetos, foram feitas doações para Paulo Hartung e seu grupo político. As doações foram feitas de duas formas: contribuições oficiais e pagamentos utilizando recursos de caixa dois. Cabia a Paulo Hartung a coordenação das arrecadações das campanhas eleitorais”, relatou BJ aos investigadores da Operação Lava Jato. O jornal A Gazeta teve acesso ao documento.
Em depoimento registrado em vídeo, BJ já havia informado que houve repasses para as campanhas de 2010 e 2012 a pedido de Hartung, ainda que ele não tenha disputado as eleições naqueles anos. Os beneficiários seriam aliados do peemedebista, ainda de acordo com o delator.
No texto, ele detalha um pedido feito por Hartung em 2010 e informa as datas em que os pagamentos foram feitos. Os repasses, segundo BJ, foram operacionalizados por meio do então secretário de Transportes e Obras Públicas da gestão Hartung, Neivaldo Bragato. E é neste trecho que a Residência Oficial é mencionada.
“Em 2010, Paulo Hartung me solicitou apoio para campanhas de aliados políticos locais, em reunião realizada na residência oficial do governo, em Vila Velha, tendo sido realizada contribuição no valor de R$ 1 milhão, por meio de caixa dois, através da equipe de Hilberto Silva (então diretor do setor de operações estruturadas da Odebrecht), em quatro parcelas no valor de R$ 250 mil cada em: 14/09/2010; 21/09/2010; 21/09/2010 e 29/09/2010. Tenho a informação de que as entregas foram destinadas a Neivaldo Bragato e realizadas em hotéis no Rio de Janeiro”, contou BJ.

O ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura narra ter sido procurado mais uma vez por Hartung em 2012. Desta vez, o pedido de recursos teria ocorrido no escritório do peemedebista, na Reta da Penha, em Vitória. Em 9 de setembro daquele ano, R$ 80 mil foram repassados via caixa dois, segundo o delator, a Roberto Carneiro, em um escritório de campanha em Vitória.
Assim como no vídeo, BJ diz que não houve contrapartidas à Odebrecht devido às doações. O delator disse que apenas pressupõe que Hartung saiba que os repasses foram por caixa dois.
O outro lado
Procurado por A Gazeta, o governador não se manifestou. Em entrevista à TV Gazeta no último dia 12, Hartung classificou o relato como “um delírio” e ressaltou que não disputou as eleições de 2010 e 2012.
Hoje membro do Conselho de Administração do Banestes, Neivaldo Bragato, por meio de nota, classificou as declarações do delator como “absurdas e descabidas”. Roberto Carneiro, diretor da Assembleia Legislativa, as tachou de “mentirosas”.
O governador Paulo Hartung não é investigado pela Lava Jato. As delações que o envolvem foram enviadas para o Superior Tribunal de Justiça, que vai decidir se abre ou não inquérito para investigar o caso.
Data de publicação : quinta-feira, 20 de abril de 2017

 

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