Texto Completo


Lava Jato chega sem cerimônias ao Estado
Fonte : A Gazeta
Em três anos de Lava Jato, a classe política do Espírito Santo esteve, na maior parte do tempo, às margens das investigações e dos seus consequentes desgastes. Publicamente, até então, coube às principais lideranças locais apenas recorrer ao bom senso e expressar o apoio incondicional à operação. Agora ela chega ao Espírito Santo de maneira até surpreendente. Entre os alvejados estão duas das principais peças do tabuleiro político capixaba: o governador Paulo Hartung e o senador Ricardo Ferraço. Mais do que nunca, deles não podem vir nada menos do que boas e completas respostas.

Obviamente, o que se tem até agora nada mais são do que motivos para novas investigações, abertas ou em vias de ser. Mas outra constatação é necessária: há evidências que sugerem facetas desabonadoras de um e de outro. Do contrário, não teriam aparecido nas listas em que apareceram.

O que está posto é incipiente, mas não é pouco. Estamos falando de pedidos feitos pela Procuradoria-Geral da República, de análises criteriosas de um ministro da Suprema Corte do país e de trâmites de uma operação que tem contribuído para o amadurecimento das instituições brasileiras.

As primeiras reações de Hartung e Ferraço foram no sentido de desmerecer os delatores, tratá-los como mentirosos. São respostas que não bastam. A essa altura, depois de tudo o que o país tem assistido nos últimos três longos anos, os brasileiros não estão dispostos a trocar as descobertas apresentadas pelas instituições para acolher argumentos de políticos. Por mais bem intencionados e diferenciados que eles sejam, são simplesmente políticos e fazem o jogo que desencanta a sociedade cada vez em maior escala.

É verdade que Hartung não disputou eleições em 2010 e 2012. Mas o ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura fala não em R$ 1 milhão, mas em R$ 1.080.000. É um apontamento preciso, acompanhado por documentação, que sugere “pagamentos indevidos”.

Ferraço, único já oficialmente investigado na Lava Jato, disse não conhecer os delatores e pretende processá-los pelas mentiras que levaram aos autos. O problema é que esse não é um discurso inovador. Portanto, por mais indignado que ele esteja, não tem o efeito pretendido.

Claro que são apenas procedimentos embrionários. Mas Hartung e Ferraço são da cúpula de lideranças capixabas e são os dois políticos locais mais implicados, até agora, pela operação que os brasileiros só fazem aplaudir. É por isso que, até a conclusão das análises da Justiça, ambos carregarão nuvens pesadas sobre a cabeça.

Hartung pode se ver livre dela mais cedo. Bastará o STJ não optar pela abertura de inquérito. Ferraço deverá conviver com o peso por mais tempo. Na larga trajetória política de ambos, não se tem registro de um revés tão incômodo quanto esse, exposto, em uma só tacada, para todo o país. De uma hora para outra, a “nata” capixaba passou a dividir listas com personalidades nada lisonjeiras.

O Espírito Santo projetou-se nacionalmente como uma ilha de sensatez num oceano de absurdos morais, fiscais e administrativos. A maneira como a Lava Jato chega ao Estado deixa engatilhada a possibilidade de tudo isso ir por terra. A depender do futuro, estaremos de volta à vala comum do mau exemplo.

A hora e a vez das PPPs

Em entrevista nesta terça-feira (11) à CBN, o prefeito de Vitória, Luciano Rezende, afirmou que a sua administração decidiu avaliar concessões e PPPs não só no saneamento, mas em todos os serviços públicos, a começar pela iluminação.

O que disse Luciano

“Certamente, os estudos nos modelos de concessão e PPPs vão ser feitos em todas as áreas. Eu lembro que a nossa PPP de iluminação está em fase final. É uma PPP de iluminação na cidade que transforma os postes em rede de transmissão de dados de internet moderna, que vai dar à cidade uma capacidade de manutenção do seu sistema rapidamente.”

Usina de lixo

Luciano confirma que, assim como Vila Velha, Vitória estuda concessão do serviço de coleta e destinação do lixo para uma empresa privada. “(Estamos estudando) um sistema de queima de lixo que transforma aquele lixo em energia e dá para mover por ano uma cidade do tamanho de Vitória. Já abrimos a manifestação de interesse público, assim como fizemos com a Cesan, para poder apresentar estudos em relação à usina de lixo.”

Já em Cariacica...

Também em entrevista à CBN, o prefeito de Cariacica, Juninho, contou que planeja firmar uma PPP para a administração de um ginásio na cidade. A prefeitura também avalia fazer concessão pública do serviço de limpeza urbana. Juninho admitiu deficiência de pessoal para fazer a varreção da cidade e conclamou os moradores a colaborar. “A cidade está suja.”

Alinhando a base

Juninho promoveu, na última segunda-feira, reunião com os vereadores da cidade, no gabinete dele. Todos os membros da Câmara foram convidados. Dos 19, 16 compareceram. Dois justificaram ausência, e Sergio Camilo (PSC), oposicionista, não mandou notícias. Juninho escolheu Itamar Freire (PDT) como líder e Lelo Couto (PR) como vice-líder.

Cena política

Um bom exemplo de que muita gente não está nada disposta a acolher argumentos de políticos foi observado ontem à noite nos comentários da matéria publicada no Gazeta Online sobre o que o delator falou sobre Hartung. Uma servidora comissionada do governo usou o espaço para defender o governador, repetindo o que ele declarou em nota a respeito da delação. Ela acabou massacrada por dezenas de internautas, que descobriram o vínculo dela com o Estado.
Data de publicação : quarta-feira, 12 de abril de 2017

 

    ©2010 Krassine Soares Pinheiro Filho   -   Administrador