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Ministro diz que Brasil pode entrar a qualquer momento na Parceria Transpacífico
Fonte : Estadão

Depois de os Estados Unidos formarem a Parceria Transpacífico, o maior tratado de livre comércio do mundo, e de críticas de que o Brasil está isolado, o governo saiu em defesa da política comercial brasileira. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, defendeu que o Brasil pode entrar a qualquer momento no acordo capitaneado pelos norte-americanos.

Segundo ele, o Brasil está fazendo um intenso programa de missões comerciais como parte de uma estratégia de inteligência para identificar mercados prioritários e fortalecer a imagem do País no exterior. "Estamos reposicionando nossa política comercial", afirmou nesta quarta-feira, 14, durante um seminário em comemoração ao cinquentenário de criação do Departamento de Promoção Comercial e Investimentos.

"Temos atuado para encurtar a distância dos países que formam a aliança do Pacífico na América do Sul, por isso firmamos acordos importantes com a Colômbia, Peru e tivemos com o Chile o nosso comércio desagravado", garantiu. O ministro argumentou que o País pode aderir a Parceria Transpacífico a "qualquer momento" e disse que esse acordo não está fechado para o Brasil, visto que Peru e Chile, países da América do Sul, participam dele.

Apesar dessa avaliação de que o Brasil pode participar, ele afirmou que é preciso primeiro preparar o País e harmonizar o posicionamento entre os integrantes do Mercosul, já que um acordo desse porte teria de passar pela cúpula de países de modo que todo o bloco aderisse ao tratado. "Podemos aderir, mas é preciso primeiro construir as bases e harmonizar posicionamento dos países dentro do Mercosul", observou. Na avaliação dele, essa adesão não é algo para curto prazo.

Barreiras a essa participação brasileira ou do Mercosul no acordo podem ser levantadas em função dos diferentes interesses sul-americanos e de dificuldades do Brasil em ser mais competitivo em itens manufaturados. O ministro, inclusive, frisou que a política comercial brasileira tem sido mais agressiva no agronegócio e mais defensiva no segmento industrial.

Apesar disso, ele acredita que o País pode agregar mais valor às exportações. No entendimento dele, a Parceria do Transpacífico pode dar oportunidade para que o Brasil redefina a parceria com a China. "Queremos adicionar mais valor às nossas exportações. Queremos exportar menos grãos e mais farelo, mais óleo de soja", disse.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que também participou do evento, defendeu que mesmo que o Brasil não tenha acordos comerciais com determinados países, existem oportunidades a serem exploradas. "Acordos comerciais abrem caminhos, mas por si só não garantem mercados. A ausência de acordos não significa que não há oportunidades a serem exploradas com esses países", disse. "O Brasil continua firmemente empenhado em ampliar sua rede de acordos comerciais", garantiu.

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Data de publicação : quinta-feira, 15 de outubro de 2015

 

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