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“Segundafeira Negra” chinesa derrete os mercados mundiais
Fonte : Monitor Mercantil

RISCO DA ESPECULAÇÃO PRIVADA SOBRE INTERESSE COLETIVO

Cada vez mais está complicado conciliar uma economia de interesse coletivo com ganhos especulativos privados. O exemplo disso está na China, onde a Bolsa de Xangai, após acumular alta de 150% até junho, entrou num período de sucessivos “Katrinas” que vêm abalando os mercados de ações mundiais. Mesmo com o fato de investidores de longo prazo estarem investindo menos em ações devido ao acúmulo de bons ganhos no último ano, não se sabe, no entanto, o que vem provocando forte onda de venda de ações que acentuou a queda das cotações nos últimos dias.

Mais uma vez, nesta segunda-feira, as bolsas asiáticas afundaram, diante da preocupação com a desaceleração da economia chinesa, apesar dos esforços das autoridades para tentar tranquilizar os investidores. Xangai liderou a queda, com o índice composto da bolsa chinesa caindo 8,49%, a 3.209,91 pontos, quase zerando os ganhos deste ano. Foi a maior queda diária desde o auge da crise financeira global em 2007. Durante o pregão, o índice chegou a perder 9%. A Bolsa de Shenzhen, a segunda maior da China, registrou queda de 7,70%, a 1.882,46 pontos. Tóquio caiu 4,61%, com o índice Nikkei perdendo 895,15 pontos, a 18.540,68 unidades.

A chamada Black Monday (“Segunda-feira Negra”) nas bolsas chinesas aconteceu apesar da decisão anunciada no domingo pelo governo chinês de permitir que os fundos de pensões do país investam até um máximo de 30% de seus ativos na bolsa. A medida, tomada após as fortes perdas nos pregões do gigante asiático durante a semana passada, poderia representar a entrada nos mercados de valores do país de até 2 trilhões de iuanes (US$ 328 bilhões), segundo os cálculos oficiais.

No entanto, a decisão parece não ter tido repercussões satisfatórias nas bolsas. Isso porque, os operadores não esperam um efeito imediato e amplo como o anunciado pelas autoridades.

Os reflexos das bolsas chinesas provocaram estragos nos principais mercados globais. Nos EUA, o índice Dow Jones caiu 3,57%, S&P 500 recuou 3,94% e Nasdaq perdeu 3,82%. Na Europa, o FTSEurofirst 300 caiu 5,44%, a pior queda diária desde 2011. O petróleo não escapou, com o preço do barril nos EUA caindo para US$ 38,24, mínima desde fevereiro de 2009. No Brasil a Bovespa caiu 3,03%, a 44.336 pontos, menor patamar desde abril de 2009.
Data de publicação : terça-feira, 25 de agosto de 2015

 

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