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Ministra australiana vem ao Brasil tratar de comércio, investimentos e Parceria Estratégica
Fonte : Comex do Brasil

Brasília – A ministra dos Negócios Estrangeiros da Austrália, Julie Bishop, realiza visita ao Brasil nesta sexta-feira (3) e sábado (4) para uma troca de opiniões com o chanceler Mauro Vieira sobre um amplo leque de assuntos que vão do comércio e investimentos à Parceria Estratégica entre os dois países e abrangendo também temas de natureza política (avanço do Estado Islâmico, negociações do acordo nuclear iraniano, reatamento diplomático entre os Estados Unidos e Cuba) e também os preparativos das comemorações do 70º. aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre o Brasil e a Austrália, no mês de setembro.

Além de Brasília, a ministra australiana visitará São Paulo, onde se reunirá com empresários para tratar de oportunidades de negócios nas áreas de comércio exterior e investimentos. O Brasil é o principal parceiro comercial da Austrália na América Latina e os governos brasileiro e australiano têm grande interesse em ampliar e dinamizar o intercâmbio comercial bilateral.

Na avaliação de técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o comércio Brasil-Austrália encontra-se aquém das reais potencialidades das duas economias. Ano passado, as trocas entre os dois países somaram US$ 1,512 bilhão, com exportações australianas no valor de US$ 1,091 bilhão e vendas brasileiras de apenas US$ 420 milhões. Nos últimos seis anos a balança comercial tem sido sempre favorável à Austrália e nesse período o país acumula um superávit de US$ 4,4 bilhões nas trocas com o Brasil.

Este ano, de janeiro a maio, o saldo em favor dos australianos soma Us$ 402 milhões, resultado de exportações no valor de US$ 573 milhões e importações no montante de US$ 171 milhões. Em igual período do ano passado, o superavit australiano foi de pouco mais de US$ 274 milhões. De acordo com dados do MDIC, nos cinco primeiros meses de 2015 as exportações brasileiras para a Austrália ficaram praticamente estáveis, com um crescimento de apenas 0,24%. Em contrapartida, as exportações australianas deram um salto de 29,58%.

Os técnicos do MDIC defendem não apenas o aumento das exportações mas sobretudo uma maior diversificação na pauta exportadora brasileira para a Austrália. De janeiro a maio, os principais produtos negociados pelo Brasil com a Austrália foram café não torrado, em grão (Us$ 16 milhões), sucos de laranjas (US$ 15 milhões), calçados de borracha (US$ 11 milhões) e outros niveladores (US$ 7 milhões). Na opinião desses técnicos, produtos de alto valor agregado como automóveis (vendas de pouco mais de US$ 2,8 milhões nos cinco primeiros meses do ano) e aviões da Embraer são itens que deveriam ter participação mais relevante nas exportações para aquele país.

Do lado australiano, chama a atenção o fato de que apenas dois produtos, hulha betuminosa, não aglomerada e petróleo são responsáveis por 61,55% de todo o volume exportado para o Brasil. As vendas de hulha renderam, de janeiro a maio, US$ 247 milhões, enquanto as exportações de petróleo geraram receita no montante de US$ 178 milhões. Outros produtos da pauta são outras hulhas, mesmo em pó, mas não aglomeradas (US$ 21 milhões), carnes desossadas de bovinos (US$ 16 milhões) e outros óxidos e hidróxidos de níquel (US$ 15 milhões).

Além da ampliação das trocas comerciais e da diversificação da pauta exportadora, existe interesse do governo brasileiro em tratar com a ministra Julie Bishop do aumento do fluxo de investimentos entre os dois países. A questão deverá ser abordada na reunião de trabalho seguida de almoço no Itamaraty com o ministro Mauro Vieira e principalmente nas reuniões que a ministra australiana terá com empresários brasileiros e australianos, em São Paulo.

Durante o encontro na chancelaria brasileira, o ministro Mauro Vieira aproveitará para fazer com a ministra Julie Bishop uma avaliação sobre o estado atual da Parceria Estratégica entre a Austrália e o Brasil e especificamente sobre os trabalhos do Plano de Ação estabelecido pelo Memorando de Entendimento lançado pelos dois países.

A Parceria foi criada com o objetivo de aumentar a cooperação bilateral em áreas como comércio e investimentos, mudanças climáticas e meio ambiente, agricultura, mineração e energia, educação e cultura, entre outras e tem possibilitado importantes avanços na cooperação bilateral em áreas como as de energia renovável, biocombustíveis, petróleo e gás e mineração. O mecanismo contribui também para o aumento nos fluxos de investimento bilateral no setor do agronegócio, do comércio e dos investimentos.
Data de publicação : sexta-feira, 3 de julho de 2015

 

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