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Dez anos depois, Intersindical é refundada em Paranaguá
Fonte : Jornal dos Bairros

Dez anos após a fundação, a Frente Intersindical de Paranaguá se reuniu nesta segunda-feira (22) no Sindicato dos Trabalhadores Portuários do Paraná (Sintraport) para ativar a entidade. Leia reportagem do Jornal dos Bairros:
A história da Intersindical não tem apenas uma década, pois ela nasceu na gestão, através do presidente da Fenccovib, Mário Teixeira, na época que Carlos Antonio Tortato (PT) era presidente do Sindicato dos Conferentes de Carga e Descarga dos Portos do Paraná nos anos 90.

A necessidade de união dos trabalhadores que atuavam na faixa portuária surgiu com a discussão do PL 8 que serviu de bojo para criação da Lei de Modernização dos Portos, 8630/93, elaborada pelo deputado baiano José Carlos Aleluia.

Decididos a defender o mercado de trabalho, além da criação da Intersindical, os sindicatos da orla marítima se uniram e decidiram colocar um trabalhador na prefeitura de Paranaguá e deram início a era dos prefeitos sindicalistas com a eleição de Carlos Antonio Tortato em 1992.

Coube a Antonio Jairo Matoso, sucessor de Tortato nos Conferentes assumir a presidência da Intersindical que, na época, uniu lideranças expressivas como o saudoso Izaias (Estiva), Alexandrino (Condutores), Vilmar (Arrumadores), Roque (Vigias), Carlos Velha (Consertadores), Wilson Moraes (Portuários) e Severino (Bloco), além de sindicalistas como Aroldo Bandeiras Ribas (Conferentes), José Pereira de Jesus (Coopanexos), Careca (Portuários), Pedrão (Estiva) entre outros. Esta foi uma das mais fortes formações da Intersindical.

No Executivo e Legislativo

Com a força de mobilização com que nasceu a Intersindical mudou a história política partidária e não mais deixou de eleger prefeitos vindos da orla marítima, assim com Mário Roque (Vigias Portuários) e José Baka Filho (Sintraport), ambos com gestões de oitos anos e, novamente Mário Roque por apenas seis meses em 2013. A Intersindical também conseguiu eleger representantes das categorias na Câmara Municipal, assim foi com Adilson Soares Zela, o Tucano da Estiva, Jorge Pereira, o Charrão dos Portuários, Edson Augusto da Silva, o Ede dos Arrumadores, Antonio Ricardo dos Santos da Coopanexos e Antonio Carlos Bonzato da Estiva.

Conquistas históricas

Ao longo de sua existência, nas vezes que a Intersindical usou sua força de pressão em favor dos trabalhadores, os reflexos foram imediatos e, algumas conquistas conseguiram mobilizar toda a sociedade em duas situações históricas.
A primeira vez no movimento “Fora Petraglia” que teve adesão de toda cidade, inclusive a Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Paranaguá (Aciap) e no “Movimento Pro-Paranaguá” que, além da Aciap, até mesmo a comunidade portuária patronal, através do Sindicato dos Operadores Portuários do Paraná (Sindop) aderiu a causa que resultou numa das mais demoradas paralisações no porto de Paranaguá.

Entretanto, apenas o primeiro movimento o resultado foi de 100% com a mudança da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), no segundo não houve mudança no comando da Appa, mas o governador Requião e seu irmão Eduardo Requião se viram obrigados a ceder nas reivindicações da comunidade portuária.

A união da Intersindical sempre foi o peso na balança das negociações sempre que uma categoria era ameaçada e, a maior importante delas, ocorreu quando a Marcon conseguiu um efeito suspensivo numa interpretação equivocada de uma decisão do então Ministro Almir Pazzianoto e decidiu não requisitar os conferentes para atuar faixa portuária.

Imediatamente o então presidente da Estiva, Ubirajara Maristany, saiu em defesa do sindicato e recusaram ir para faixa portuária se os conferentes não fossem requisitados. A Marcon cedeu e tudo voltou ao normal.

O elo fraco

Durante esses 23 anos de existência da Intersindical ocorreram muitos elos fracos e a desunião das categorias foi a que mais pesou para que a entidade fosse vista como uma “lenda urbana”, tal qual heróis de estórias em quadrinhos que surge apenas quando o perigo paira em alguma situação. Presidentes do sindicato mais forte, a Estiva, muitas vezes, investiram na sua própria sobrevivência e deixou a deriva os sindicatos que tanto precisaram de sua força de pressão. O enfraquecimento de categorias como o sindicato do Bloco, Consertadores e, mais recentemente, Conferentes, se deve a ausência de pulso da Estiva em momentos cruciais na mesa de negociação. Também pesou a vaidade de trabalhadores da base no sindicato dos Conferentes que viam seu trabalho como o mais importante e o melhor remunerado.

Futuro promissor

Com o advento de novas e jovens lideranças assumindo o comando dos sindicatos da faixa portuária, a Intersindical nasce com o firme propósito de defender os interesses dos trabalhadores da faixa portuária. Após Jairo Matoso, a Intersindical passou todos esses anos tendo como presidente Ademir Scomasson, que sempre comandou um sindicato patronal e não de trabalhador portuário avulso (tpa). Agora com João Antonio Lozano (Estiva) na presidência da Intersindical e jovens presidentes como Gerson Antunes, o Gerson Bagé (Sintraport) e Jesiel Fonseca (Consertador), aliado a experiência de quem foi pioneiro na formação da entidade, Carlos Tortato (Conferentes), a Intersindical renasce promissora e com uma boa expectativa de futuro.

A adesão de importantes e novas categorias, como Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens de Paranaguá – Sindicam e Sindicato dos Práticos do Estado do Paraná, a tendência é de um fortalecimento ainda maior e um poder de pressão de difícil resistência.

A nova Intersindical

A Intersindical é formada pelos seguintes sindicatos:

Sindicato dos estivadores de Paranaguá e Pontal do Paraná – Sindestiva;
Sindicato dos Trabalhadores Empregados na Administração e nos Serviços de Capatazia dos Portos, Terminais Privativos e Retroportuários no Estado do Paraná – Sintraport;
Sindicato dos Conferentes de Cargas e Descarga no Portos de Paraná;
Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens de Paranaguá – Sindicam;
Sindicato dos Arrumadores e Trabalhadores Portuários Avulsos nos Serviços de Capatazia nos Portos de Paranaguá e Pontal do Paraná – Sindacapp;
Sindicato dos Trabalhadores de Blocos dos Portos de Paranaguá e Antonina;
Sindicato dos Consertadores de Carga e Descarga nos Portos do Estado do Paraná;
Sindicato dos Vigias Portuários de Paranaguá;
Sindicato dos Práticos do Estado do Paraná.
Data de publicação : sexta-feira, 26 de junho de 2015

 

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