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Dólar por volta de R$ 3 impulsiona exportações
Fonte : Sérgio Barreto Motta – Monitor Mercantil

No dia 6 de janeiro, o ministro do Desenvolvimento, Armando Monteiro, anunciou um Plano Nacional de Exportações, em seguida exaltado por Dilma Rousseff. De lá para cá, só houve frustrações. Um programa de suporte aos exportadores, o Reintegra, teve seus incentivos reduzidos de 3% para 1% e aumentos no PIS/Pasep e nas tarifas de energia elevaram o Custo Brasil. Se o plano não gera entusiasmo dos empresários, o dólar por volta de R$ 3 é um efetivo estímulo às exportações. Até abril, as importações caíram 15,9%, e as exportações, um pouco mais, 16,4%, em valor. No entanto, as perspectivas são de saldo comercial ao fim do ano. O efeito da desvalorização do real demora um pouco a ser sentido e, em breve, deverá atiçar as exportações.

O ponto negativo será a queda no fluxo de comércio. Exportações e importações estão em queda e, com a apatia do consumidor por itens importados – em razão do preço – em dezembro as vendas externas deverão superar as internas, de forma tímida. Será um saldo obtido mais por queda das importações do que alta nas exportações, mas será saldo. Os mais otimistas acreditam que preços de minério e de produtos agrícolas poderão surpreender, o que seria uma grande ajuda para as combalidas contas externas, onde há alto déficit em transações correntes, que é a soma de todas as relações com o resto do mundo, incluindo pagamento de juros e dividendos a estrangeiros, com as vultosas remessas de lucros das multinacionais.

Como já ocorria no fim da primeira gestão de Dilma Rousseff, o governo acena com aproximação com Estados Unidos e União Européia, objetivos difíceis de serem atingidos, pois, desde 2003, o Brasil demonstrou opção preferencial por América do Sul e África, o que, segundo um especialista, gerou certa má vontade dos negociadores europeus e norte-americanos. Em agosto passado, ao abrir o Congresso da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o Enaex, o então ministro do Desenvolvimento, Mauro Borges, afirmou, em seu discurso, que estava próximo um acordo com a União Européia. O tempo provou que isso foi uma pegadinha, um tipo de declaração que só prejudica o comércio exterior brasileiro, pela falta de vinculação com a realidade.

Receita em queda

A Súmula Vinculante 40, do Supremo Tribunal Federal, publicada a 20 de março, vai causar um trauma em sindicatos, federações e confederações de trabalhadores. Determina que a contribuição confederativa só pode ser cobrada dos filiados ao sindicato respectivo, não a toda a classe, como até agora se entendia.

Uma administradora de imóveis avisou aos condomínios que são seus clientes: “Como não sabemos quais funcionários de condomínios são associados, para que se volte a fazer o desconto será necessário que cada empregado comprove, por escrito, sua associação ao sindicato e autorize o desconto por escrito”.

Transpetro

A mais recente edição da revista do Sindicato dos Oficiais da Marinha Mercante (Sindmar) critica a líder mundial em operação de contêineres, a Maersk. Afirma que o grupo não cumpre o período de 28 dias de trabalho por 28 dias de descanso, estabelecido no Acordo Coletivo de Trabalho. Sobre a ação do PT, o presidente do Sindmar, Severino Almeida, comentou: “Quanto à velha senhora chamada corrupção, o PT a abraçou com carinho, compreensão e justificativas, com imperdoável incoerência diante do que a sociedade esperava do Partido dos Trabalhadores”.

Para Severino, com a saída de Sérgio Machado, não haverá mais renovação da frota na Transpetro, além dos 46 navios já contratados pelo sistema Promef: “A política da Petrobras começou a mudar, já há um ano, em favor do afretamento de unidades estrangeiras, em detrimento da construção de navios no país”. Por fim, diz que, se a Transpetro optar por gerar desemprego, a opção dos marítimos será a de lutar, em vez de assistir passivamente a chegada do desemprego.
Data de publicação : sexta-feira, 8 de maio de 2015

 

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